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cremepimenta

Ter | 20.06.17

O seu ao seu género

Das pérolas da minha miúda mais velha...

A semana passada, perguntava-lhe se ela queria ir comigo à esteticista, ela perguntou-me o que eu ia fazer, respondi "a depilação".

Resposta pronta, acompanhada de sorriso maroto:

"Não, não, tu não podes fazer a dePILAção, tu tens de fazer a dePIPIlação"

C. 8 anos. Temo pela parvalheira dos próximos anos :)

Seg | 19.06.17

Do verde que se fez negro

Já tudo se escreveu e muito se relatou sobre a tragédia de Pedrógão Grande que deixou o país de luto. Agora é tempo de honrar os mortos, sarar os feridos e tirar lições. Sim, porque se nos dias seguintes era preciso tratar da situação de emergência, acho que agora devemos olhar para este trágico acontecimento e aprender com ele.

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Para que nunca mais nenhuma família se veja na escolha impossível entre defender o que é seu e fugir para tentar salvar a vida, encontrando não um porto-seguro mas uma estrada assassina que revelou um cenário dantesco.

Entre as vítimas estão moradores das aldeias afectadas pelos incêndios, mas também famílias em férias ou passeio. Crianças. Demasiadas crianças que perderam a vida num cenário dantesco que é quase impossível imaginar. Podia ser qualquer um de nós, num domingo de fim-de-semana quente a convidar a passeios. 

A cada ano o país é varrido por violentos incêndios, multiplicamos área ardida com vidas afectadas e perdidas. Mas espero que esta tragédia, esta em que as pessoas morreram na estrada, quando tentavam sair das aldeias ou simplesmente foram apanhadas de surpresa por um fogo-monstro que tudo cobriu de negro, sirva para que todos - Governo e população - perceba que o combate aos incêndios não se pode fazer apenas de apresentações de fases Charlie e Bravo, mas de uma verdadeira gestão territorial e da floresta.

Muito mais do que consequências políticas, espero que se tirem lições e ensinamentos. É preciso ouvir os entendidos, perceber a floresta que temos e as mudanças que os tempos trazem, não só de utilização dos solos, mas também das alterações atmosféricas. Porque cada vez mais se vivem cenários de terror em diferentes épocas do ano, com temperaturas muito elevadas seja na Primavera ou no Outono. Os incêndios não se limitam aos meses de Verão.

“Deixámos criar uma floresta assassina”“É preciso encarar de vez o paiol de pólvora representada pela floresta que escolhemos ter”

Num artigo publicado na ONU em 2006, Maria Carolina Varela, engenheira florestal e investigadora de genética florestal, "dizia que as tragédias com fogos vão ser cada vez maiores se esta espécie se torna, como se tornou entretanto, dominante - o eucalipto ultrapassou o sobreiro, que desenvolveu uma capa - a cortiça - contra os fogos. Um é combustível natural, o outro água natural".

São apenas dois exemplos com opiniões que têm de ser analisados, não apenas num papel num qualquer relatório daqueles em que se gastam milhões mas não conseguem ter consequências práticas. Somos tão receptivos ao que vem de fora e nesta matéria não conseguimos aprender com quem faz melhor que nós? Não haverá países com características semelhantes que consiga melhores resultados na gestão da floresta?

Portugal e os portugueses têm a capacidade de se unir quando é necessário e hoje é dia de exigirmos que o problema da gestão das florestas seja encarado de forma diferente e não se limite à definição de planos de combate aos incêndios. Sou a primeira a agradecer e louvar o trabalho dos bombeiros que, ano após ano, arriscam as suas vidas para salvar os outros, os seus bens e a floresta. Mas é preciso apostar mais na prevenção e não só na gestão dos danos.
A maior homenagem às vítimas que podemos fazer é mudar de vez a forma como encaramos a floresta e a prevenção de incêndios.